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MercadoFonte: Loft / O Globo / Portas

Taxa de Condomínio no Rio Sobe 16% em 2026 — e Alto da Boa Vista Lidera com 80%

A taxa média de condomínio no Rio de Janeiro chegou a R$ 1.100/mês entre janeiro e abril de 2026, alta de 16% sobre o mesmo período do ano anterior — ritmo quase duas vezes maior que São Paulo. Alto da Boa Vista registrou 80% de alta. Veja quais bairros puxaram os preços e o que esperar para o restante do ano.

19 de maio de 2026·5 min de leituracondomíniotaxa de condomínioRio de Janeiro

A taxa média de condomínio no Rio de Janeiro subiu 16% entre janeiro e abril de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 1.100 por mês — ritmo de alta quase duas vezes maior que o de São Paulo, segundo levantamento da Loft com 135 mil anúncios residenciais ativos. Na Zona Sul, bairros como Lagoa (R$ 2.300) e Ipanema (R$ 2.200) já operam com condôminos pagando mais do que muitos aluguéis em outras cidades. Na periferia, Alto da Boa Vista registrou alta de 80% em apenas um ano.

Pagar condomínio no Rio de Janeiro ficou significativamente mais caro em 2026 — e o movimento não está acontecendo só nos bairros nobres. O levantamento da Loft, que analisou 135 mil anúncios residenciais ativos com tratamento para remover duplicidades, revela uma pressão disseminada sobre os custos fixos da moradia carioca.

A alta de 16% coloca o Rio à frente de São Paulo em ritmo de reajuste, mesmo que as duas cidades operem hoje na mesma taxa média de R$ 1.100 por mês. Para quem mora em condomínio — ou está avaliando comprar ou alugar um imóvel —, esse custo tem peso crescente na conta final.

Zona Sul: onde o condomínio vira segundo aluguel

Os bairros mais caros concentram-se na Zona Sul, onde a combinação de imóveis antigos (infraestrutura mais cara de manter), serviços premium e baixa oferta de novos empreendimentos explica parte da pressão.

BairroTaxa média de condomínio
LagoaR$ 2.300
IpanemaR$ 2.200
São ConradoR$ 2.093
Leblonacima de R$ 2.000
Jardim Oceânicoacima de R$ 2.000

Em Ipanema, R$ 2.200 de condomínio equivale ao aluguel completo de um apartamento de dois quartos em muitas cidades do interior fluminense. Para quem está calculando o custo real de morar nessa região, o condomínio pode representar 30% a 50% do custo mensal total de ocupação.

Some o condomínio, o aluguel e outras despesas para entender o custo real com a Calculadora de Despesas de Condomínio.

Periferia acelera mais: Alto da Boa Vista sobe 80%

O fenômeno mais revelador do levantamento não está na Zona Sul — e sim nas regiões com base histórica mais baixa. Alto da Boa Vista foi o bairro com maior variação absoluta: a taxa média saltou de R$ 500 para R$ 900 em um ano, alta de 80%.

Itanhangá registrou 67% de aumento, e bairros como Ramos, Cascadura, Riachuelo e Penha também aparecem com variações expressivas. Nesses casos, a base menor amplifica a taxa percentual — mas para o morador, o impacto no bolso é real da mesma forma.

BairroVariação aproximada
Alto da Boa Vista+80% (R$ 500 → R$ 900)
Itanhangá+67%
Ramosexpressiva
Cascaduraexpressiva
Riachueloexpressiva
Penhaexpressiva

Essa pressão na periferia sugere que o aumento não é apenas resultado de valorização imobiliária — mas também de reajustes represados de contratos de manutenção, mão de obra, energia elétrica e serviços que compõem o orçamento dos condomínios.

Por que os condomínios estão subindo tanto?

A conta de um condomínio é formada por diversas linhas de custo, e quase todas sofreram pressão nos últimos 12 a 18 meses:

Mão de obra: porteiros, zeladores e faxineiros têm reajuste negociado pelos sindicatos — no Rio, a categoria recebeu aumentos acima da inflação em 2025.

Energia elétrica: condomínios respondem por uma fatia significativa do consumo das áreas comuns — piscinas, elevadores, iluminação. A bandeira tarifária e os reajustes das distribuidoras pressionam essa linha.

Manutenção e reformas: condomínios mais antigos da Zona Sul acumularam demandas de retrofit e adequação estrutural, elevando o fundo de obras.

Seguros e encargos: a revisão de apólices de seguro obrigatório também contribuiu para a alta do custo fixo.

Calcule quanto cada condômino deve pagar com base na fração ideal e nas despesas do prédio com o Rateio de Condomínio.

Impacto direto em quem compra ou aluga

A alta do condomínio tem dois efeitos imediatos no mercado imobiliário carioca.

Para quem aluga: proprietários tendem a repassar parte do custo adicional para o valor do aluguel nas renovações. Com o condomínio subindo 16% e o IGP-M historicamente volátil, a renegociação anual pode trazer surpresas.

Para quem compra: o custo efetivo mensal de um imóvel inclui parcela do financiamento + condomínio + IPTU + seguro. Com o condomínio subindo, imóveis em prédios com infraestrutura cara ficam relativamente mais caros mesmo que o preço de venda não se mova.

Compare o custo real de comprar vs. alugar considerando o condomínio, IPTU e financiamento com a Calculadora Comprar ou Alugar.

Vista aérea de bairros residenciais do Rio de Janeiro com prédios ao longo da orla — taxa média de condomínio atingiu R$ 1.100/mês em 2026
Vista aérea de bairros residenciais do Rio de Janeiro com prédios ao longo da orla — taxa média de condomínio atingiu R$ 1.100/mês em 2026

O que esperar para os próximos meses

O ritmo de alta de 16% no quadrimestre acumulado é expressivo, mas alguns fatores podem moderar o aumento ao longo do segundo semestre de 2026.

A inflação oficial (IPCA) vem arrefecendo, o que reduz a pressão sobre contratos de manutenção indexados ao índice. Se o cenário de queda da Selic se confirmar, o custo de financiamento de obras emergenciais em condomínios também cai — aliviando parte da pressão sobre o fundo de reserva.

Por outro lado, bairros com estoque antigo e crescente demanda por reformas estruturais — especialmente na Zona Sul — devem manter a pressão de alta.

Para os síndicos, o momento recomenda revisão criteriosa do orçamento, cotação competitiva de contratos de manutenção e comunicação transparente com os condôminos sobre o fundo de reserva.

Planeje o fundo de reserva do condomínio com a Calculadora de Fundo de Reserva — simule quanto arrecadar por mês para cobrir despesas extraordinárias sem surpresas na assembleia.


A taxa de condomínio no Rio subindo 16% em quatro meses é um sinal claro de que o custo fixo da moradia carioca entrou num novo patamar. Para quem está avaliando um imóvel na cidade, ignorar o condomínio na conta é o caminho mais rápido para uma surpresa desagradável no orçamento mensal.