O Índice FipeZap encerrou 2025 com valorização de 6,52% nos imóveis residenciais — a segunda maior alta em 11 anos, atrás apenas de 2021. O desempenho superou o IPCA (4,18% no ano) e ficou muito acima do IGP-M, que fechou 2025 em território negativo (-1,05%). O metro quadrado médio no Brasil chegou a R$ 9.611.
Quem liderou a valorização em 2025
A grande surpresa do ano foi a ascensão do Nordeste e do interior como protagonistas — São Paulo e Rio de Janeiro ficaram fora do top 5.
| Cidade | Valorização 2025 |
|---|---|
| Salvador (BA) | +16,25% |
| João Pessoa (PB) | +15,15% |
| Vitória (ES) | +15,13% |
| São Luís (MA) | +12,8% |
| Belo Horizonte (MG) | +11,4% |
Salvador liderou o ranking nacional com impressionantes 16,25% de valorização, impulsionada pela crescente demanda de compradores de outras regiões, infraestrutura em expansão e oferta ainda baixa em bairros nobres.
Vitória tem o metro quadrado mais caro entre as capitais
Quem conhece o mercado imobiliário brasileiro há décadas pode se surpreender: Vitória (ES) encerrou 2025 com o maior preço médio por metro quadrado entre todas as capitais — R$ 14.108/m², à frente de São Paulo e Rio de Janeiro.
No ranking geral das 56 cidades monitoradas pelo FipeZap, Vitória fica em terceiro lugar, atrás apenas de Balneário Camboriú (R$ 14.906/m²) e Itapema (R$ 14.843/m²) — dois municípios catarinenses que se consolidaram como destinos de alta renda.
Preços médios por metro quadrado (venda, 2025)
| Cidade | Preço médio (R$/m²) |
|---|---|
| Balneário Camboriú | R$ 14.906 |
| Itapema | R$ 14.843 |
| Vitória | R$ 14.108 |
| São Paulo | ~R$ 11.200 |
| Florianópolis | ~R$ 10.900 |
| Rio de Janeiro | ~R$ 10.100 |
| Salvador | R$ 8.238 |
Fonte: FipeZap, dezembro de 2025.
O que está puxando os preços fora do eixo Rio-SP
1. Migração interna: O pós-pandemia acelerou a saída de profissionais das grandes metrópoles em direção a capitais regionais com melhor custo-benefício de vida.
2. Deficit habitacional concentrado: As regiões Norte e Nordeste têm um dos maiores deficits habitacionais do país, e o avanço do Minha Casa Minha Vida nessas regiões gerou aquecimento em todos os segmentos.
3. Infraestrutura e turismo: Cidades como Salvador e João Pessoa receberam investimentos em mobilidade urbana e infraestrutura turística que valorizaram bairros anteriormente depreciados.
4. Oferta restrita: O estoque de imóveis novos em bairros valorizados de Vitória e Salvador é limitado — combinação clássica de demanda crescente com oferta comprimida.
O papel dos juros altos
A Selic em patamares elevados durante 2025 freou o volume de transações, mas não os preços — o mesmo fenômeno observado nos EUA em 2022-2023. Proprietários preferem aguardar melhores condições para vender, contraindo a oferta e mantendo os preços estáveis ou em alta.
O que esperar para 2026
Com a Selic em queda gradual a partir de março de 2026, analistas projetam aumento no volume de transações e possível aceleração nos preços nas cidades que já mostraram forte valorização em 2025. O FipeZap projeta que a valorização de 2026 deve ficar entre 5% e 8% no acumulado anual.