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Fluxo de Caixa do Imóvel para Aluguel: Quanto Sobra de Verdade Todo Mês

Veja todos os custos que o proprietário precisa considerar — IPTU, vacância, manutenção, administração e IR — e como calcular o fluxo de caixa líquido real do seu imóvel.

23 de abril de 2026·7 min de leiturafluxo de caixa imóvelcustos proprietáriorenda de aluguelquanto sobra aluguelrentabilidade imóvel

"Meu apartamento aluga por R$ 2.500 — tenho uma renda de R$ 2.500." Esse raciocínio é o erro mais comum de quem investe em imóvel para aluguel. O valor do aluguel bruto raramente representa o que entra no bolso. Este guia mostra como calcular o fluxo de caixa real, item por item.

Os custos que o proprietário suporta

1. Vacância — o custo mais subestimado

Nenhum imóvel fica alugado 100% do tempo. Troca de inquilino, reforma entre contratos, sazonalidade de mercado — a vacância média em imóveis residenciais no Brasil fica entre 8% e 12% ao ano, ou seja, aproximadamente 1 a 1,5 meses sem renda por ano.

Para um imóvel que aluga por R$ 2.500/mês, a vacância de 10% representa R$ 250/mês a menos em média — ou seja, a renda média real é R$ 2.250, não R$ 2.500.

2. IPTU

O IPTU é responsabilidade do proprietário — o inquilino pode pagar por disposição contratual, mas a obrigação legal é do dono. Se o imóvel ficar vazio, o IPTU segue vencendo.

Dependendo do município e do valor venal, pode variar de R$ 800 a R$ 6.000/ano para um apartamento de médio padrão. Divida pelo número de meses para incluir no fluxo mensal.

3. Manutenção e reparos

A regra prática: reserve 0,5% a 1% do valor do imóvel por ano para manutenção. Para um imóvel de R$ 400.000, são R$ 2.000 a R$ 4.000/ano (R$ 167 a R$ 333/mês).

Isso cobre pintura periódica, reparos hidráulicos e elétricos, substituição de torneiras e fechaduras, e manutenção geral. Reformas maiores são extraordinárias e devem ser provisionadas separadamente.

A Lei do Inquilinato define que reparos estruturais (encanamento embutido, telhado, instalações elétricas internas) são de responsabilidade do proprietário. O inquilino cuida apenas dos danos causados pelo uso.

4. Taxa de administração imobiliária

Se você contrata uma imobiliária para gerenciar o imóvel (buscar inquilinos, cobrar aluguel, cuidar da vistoria, resolver chamados), a taxa padrão é de 8% a 10% do aluguel mensal.

Para quem mora longe do imóvel ou não tem tempo para administrar, vale muito. Para quem gere direto com o inquilino, é custo zero — mas exige dedicação.

5. Imposto de Renda sobre o aluguel

Renda de aluguel é tributada na tabela progressiva do IRPF. A base de cálculo pode ser reduzida descontando:

  • Taxa de administração imobiliária
  • IPTU (se o proprietário paga)
  • Condomínio (se o proprietário paga)
Renda mensal líquidaAlíquota
Até R$ 2.259Isento
R$ 2.259 – R$ 2.8267,5%
R$ 2.826 – R$ 3.75115%
R$ 2.751 – R$ 4.66422,5%
Acima de R$ 4.66427,5%

O IR é recolhido mensalmente via carnê-leão — não espera a declaração anual. Quem não recolhe mensalmente fica sujeito a multas e juros.

6. Condomínio (durante vacância)

Quando o imóvel está vazio, o condomínio segue sendo cobrado — e é responsabilidade do proprietário. Em imóveis de alto padrão com condomínio elevado, esse custo durante a vacância pode ser significativo.

Exemplo prático: fluxo de caixa real

Apartamento de R$ 350.000, alugado por R$ 2.000/mês:

ItemMensal
Aluguel brutoR$ 2.000
− Vacância (10%)− R$ 200
− IPTU (R$ 2.400/ano)− R$ 200
− Manutenção (0,6%/ano)− R$ 175
− Administração imobiliária (9%)− R$ 180
− IR (estimado, 7,5% sobre líquido)− R$ 92
Fluxo de caixa líquidoR$ 1.153

O rendimento líquido real é R$ 1.153 — não R$ 2.000. Isso representa 3,95% ao ano sobre o valor do imóvel — abaixo da Selic, do CDI e de muitos produtos de renda fixa disponíveis hoje.

Por que a conta ainda pode fazer sentido

O fluxo de caixa mensal não conta a história completa. O rendimento total do imóvel inclui:

  1. Fluxo de caixa líquido (como calculado acima): ~4% a.a.
  2. Valorização real do imóvel: historicamente 3%–6% a.a. acima da inflação em boas localizações

Somados: retorno total de 7%–10% a.a., que é competitivo com a renda fixa em ciclos de Selic mais baixa, e inferior em momentos de juro alto como o atual.

O que fazer com esse cálculo

Antes de comprar um imóvel para alugar, calcule o fluxo de caixa real com todos os custos. Se o rendimento líquido ficar abaixo de 0,4%/mês (4,8% ao ano), o imóvel precisa ter potencial de valorização expressivo para justificar o capital imobilizado.

Bons imóveis para investimento têm:

  • Localização com baixa vacância (perto de universidades, centros comerciais, transporte)
  • Condomínio baixo em relação ao aluguel
  • IPTU razoável
  • Potencial de valorização real documentado

Use a calculadora de fluxo de caixa do CalculaImóvel para inserir os dados reais do imóvel que você está avaliando e ver o rendimento líquido mês a mês — com e sem administradora, e com diferentes cenários de vacância.

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