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Como Funciona o Financiamento Imobiliário no Brasil: Guia Completo 2026

Entenda tudo sobre financiamento imobiliário: SAC vs PRICE, CET, seguros obrigatórios, etapas do processo e como calcular o quanto você pode financiar.

23 de abril de 2026·8 min de leiturafinanciamento imobiliárioSACPRICECETcomo financiar imóvel

Financiar um imóvel é, para a maioria dos brasileiros, a maior transação financeira da vida. Mesmo assim, muitos chegam ao banco sem entender o que estão assinando — e acabam pagando mais do que deveriam. Este guia explica, de forma direta, como funciona cada etapa.

Como o financiamento imobiliário é estruturado

Todo financiamento imobiliário tem os mesmos componentes básicos:

  • Valor financiado: o que o banco libera (geralmente 70–80% do valor do imóvel)
  • Prazo: em meses — pode chegar a 420 meses (35 anos) no SFH
  • Taxa de juros: fixa + TR ou IPCA; varia por banco e perfil do cliente
  • Sistema de amortização: define como as parcelas são calculadas (SAC ou PRICE)
  • Seguros obrigatórios: MIP (morte e invalidez) e DFI (danos físicos ao imóvel)

SAC ou PRICE: qual a diferença?

É a dúvida mais comum — e mais importante.

SAC (Sistema de Amortização Constante): a amortização do saldo devedor é sempre o mesmo valor. Os juros caem todo mês porque incidem sobre um saldo menor. Resultado: parcelas que começam altas e diminuem progressivamente.

PRICE (Tabela Price): a parcela é fixa. No início, a maior parte da parcela é juros — a amortização é pequena. Com o tempo, essa proporção se inverte. Resultado: parcela previsível, mas saldo devedor que demora mais a cair.

SACPRICE
Parcela inicialMaiorMenor
Parcela finalMenorIgual
Total de jurosMenorMaior
Saldo devedor cai mais rápido?SimNão
Indicado para quem...Quer economizar no totalPrecisa de parcela menor no início

Para um financiamento de R$ 400.000 a 10,5% a.a. em 20 anos:

  • SAC: parcela inicial de R$ 5.167, parcela final de R$ 1.701, total de juros ≈ R$ 365.000
  • PRICE: parcela fixa de R$ 3.980, total de juros ≈ R$ 555.000

A diferença de juros totais é de R$ 190.000. O SAC é quase sempre a melhor escolha para quem consegue pagar a parcela inicial mais alta.

O que é CET e por que ele importa mais que a taxa nominal

A taxa nominal que o banco anuncia (ex: "10,5% a.a.") não inclui os seguros. O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa real, com todos os custos embutidos.

Os seguros obrigatórios costumam adicionar 0,3% a 0,8% ao ano ao CET:

  • MIP (Morte e Invalidez Permanente): varia com sua idade; quanto mais velho, mais caro
  • DFI (Danos Físicos ao Imóvel): proteção contra incêndio, desabamento e danos estruturais

Ao comparar propostas de bancos diferentes, sempre peça o CET — não apenas a taxa de juros.

Indexadores: TR, IPCA ou taxa fixa

A maioria dos financiamentos no Brasil usa TR + taxa de juros. A TR (Taxa Referencial) fica praticamente zero há anos, então na prática você paga só a taxa contratada.

Alguns bancos oferecem financiamento corrigido pelo IPCA + taxa menor. A parcela começa mais baixa, mas pode subir se a inflação disparar. É um risco que precisa ser avaliado com cuidado — em períodos de inflação alta, a parcela pode crescer mais do que sua renda.

Quanto você pode financiar?

Os bancos limitam a parcela a 30% da renda bruta familiar. Se sua renda é R$ 10.000/mês, a parcela máxima é R$ 3.000.

Além disso, o banco financia no máximo 70–80% do valor do imóvel (o menor entre o valor de compra e o laudo de avaliação bancária).

Passo a passo do processo

  1. Simulação: escolha o banco, taxa e prazo. Use simuladores para comparar
  2. Análise de crédito: o banco verifica sua renda, histórico (CPF, Serasa) e capacidade de pagamento
  3. Avaliação do imóvel: engenheiro do banco visita o imóvel e emite laudo. Você paga esse custo (R$ 800–R$ 3.500)
  4. Aprovação: banco emite carta de aprovação com as condições definitivas
  5. Assinatura do contrato: em cartório ou pelo banco (cada vez mais digital)
  6. Registro: contrato vai ao Cartório de Registro de Imóveis — só depois disso o imóvel é oficialmente seu e o banco libera o valor ao vendedor
  7. Pagamento das parcelas: começa normalmente 30–60 dias após o registro

Documentos necessários

Para pessoa física, os bancos geralmente pedem:

  • RG e CPF (do comprador e cônjuge, se casado)
  • Comprovante de renda (holerites, IR ou extratos bancários para autônomos)
  • Comprovante de residência
  • Documentos do imóvel (matrícula, IPTU, habite-se)

Posso usar FGTS no financiamento?

Sim, nas seguintes formas:

  • Como entrada: complementa os recursos próprios
  • Para amortizar o saldo devedor (a cada 2 anos, nas regras do SFH)
  • Para pagar parcelas em atraso (em situações específicas)

O imóvel precisa ser residencial, estar no município onde você trabalha ou reside, e ser sua primeira compra em determinadas modalidades.

O que avaliar além da taxa

Antes de assinar, verifique:

  • Seguros: peça o custo mensal do MIP e DFI
  • Tarifa de administração: alguns bancos cobram mensalmente
  • Cláusulas de reajuste: qual indexador corrige o saldo devedor
  • Portabilidade: se puder migrar para outro banco sem multa no futuro

Use o simulador do CalculaImóvel para comparar SAC vs PRICE com os juros do banco que você está avaliando — e veja o impacto em parcelas, juros totais e evolução do saldo devedor mês a mês.

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